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Entrevista: Marcelo ‘Momo’ Frota

Marcelo ‘Momo’ Frota, mineiro radicado no Rio de Janeiro, 31 anos, compositor, cantor, ex-integrante do Fino Coletivo e um dos nomes mais interessantes da música brasileira contemporânea. Com três discos lançados, ‘A Estética do Rabisco’ (2006), ‘Buscador’ (2008) e o recente ‘Serenade of a Sailor’, Momo vem demonstrando em seu trabalho uma sensibilidade na arte de construir canções e um canto peculiar, carregado de um sentimento nem um pouco caricato. Depois da boa estreia e de um dos melhores discos da geração 00 de nossa música, ele volta com um álbum que mantém o espírito e atmosfera de sua obra. Canções suaves, carregadas de lirismo e uma certa melancolia. Se para consolidar carreiras, é preciso uma trajetória regular, que mantenha um certo nível de qualidade, Marcelo Frota com seu projeto Momo já mostra que conquistou seu espaço, com uma sequência de bons trabalhos. Taí mais um bom artista que vem mostrando que essa música brasileira atual consegue sustentar carreiras, mesmo não chegando (ainda) ao grande público. Dentro da realidade do mercado fonográfico atual, o problema nem é existir, mas conseguir ser relevante, contribuir com obras que tenham algo a mostrar e saber viver de sua arte, ele demonstra que já sabe disso tudo. Através do facebook conversamos com Marcelo Frota, que falou disso tudo e, principalmente, de seu mais novo disco. Confira:

 

el Cabong - Primeiro o básico, gostaria que você falasse um pouco do processo desse disco. Você veio de um disco excelente, muito elogiado. Como foi produzir esse?

Momo · 14:43 – Esse disco assim como os outros, gravei no meu estúdio, em casa. O grosso do disco foi gravado por mim, Caetano Malta e o Regis Damasceno em 10 dias. Ficamos ali com alguns instrumentos e fomos gravando.

E a concepção dele? São musicas suas, novas? parceiras? Você pensou num conceito, num foco especifico?

Momo · 14:45 - Parto sempre do violão e da voz primeiro, depois entram as guitarras, sintetizadores, guitarras… Eu tinha umas 12 músicas. Sempre parto dum número perto de 10, 12, 13 pra começar. O conceito do disco foi surgindodurante as gravações. Não gosto de começar um disco já com uma idéia fechada. O que me interessa é exatamente não saber aonde vou chegar, como vou soar. Tenho prazer nisso. Até mesmo o repertório vai mudando durante as gravações.

Como você vê o resultado dele, ele acabou soando como no final?


Momo · 14:49 - Acho que ele é um disco coeso, envolvente em termos de sonoridade. Um pouco próximo do ‘Buscador’, mas com algo diferente. Tem as flautas do Lucas Santanna. Optei por gravar um violão de nailon. Acho que com essa escolha me aproximei mais dos disco de MPB que curto, essa coisa do nailon que é forte na MPB.

E você inseriu músicas cantadas em inglês. Foi em decorrência de suas viagens pelo exterior? Sentiu necessidade de falar diretamente com esse público?

Momo · 14:53 – As músicas em inglês vieram a partir das melodias que eu criei. Em ‘Blue Bird’, por exemplo, fiz a melodia primeiroe ela pediu uma letra em inglês, por ser uma melodia meio blues americano. Fiz o mesmo com as outras, ‘My Sea’, ‘Wake me Up’. No meu entendimento toda melodia já tem uma letra quando ela nasce. O grande desafio é descobrir o que a melodia quer dizer, o que estar por trás daquele sentimento melódico. Foi assim que fiz, fui na intuição, como faço sempre. Meu processo é pouco cerebral nesses 3 discos.

Como você se colocaria na música brasileira? Porque a gente vê artistas se consolidando, lançando discos, mas num universo meio paralelo. Quase oculto para o grande público.

Momo · 14:58 – Me vejo num lugar bacana. Um pouco distinto e único nessa nova cena musical em termos de conceito e estética. Acho que tem muita coisa bacana surgindo, tenho admiração por alguns artistas dessa, digamos, nova cena. Agora o lance do grande público, realmente acho que não consigo entender muito o que rola. Tem artista conseguindo penetrar mais nesse grande público, mas isso é uma questão que sinceramente não sei o que acontece. A minha maior preocupação é com meu ofício, com meu trabalho, com minha produção.

Mas você não pensa em atingir um publico maior? Porque às vezes parece que há um medo de furar esse bloqueio nesses artistas.

Momo · 15:03 – Tô satisfeito. Como te disse, eu quero continuar trabalhando e sim, que venha esse público maior. Não tenho medo. Me sinto cada vez mais maduro e preparado pra isso. Sou daqueles compositores que um violão já é suficiente pra eu fazer um barulho.

E como tem sido o show desse disco? O que você leva ao palco e como tem pensado na circulação pelo pais?

Momo · 15:09 – Fiz o lançamento no Sesc Pompéia em São Paulo. Foi bem legal, teve participação do Kassin e Regis, mas a banda fixa são quatro: eu no violão, uma guitarra, baixo e batera. Toco músicas dos três discos e quase todo o ‘Serenade’. O show é bem silencioso, intimista, com momentos intensos, mais pesados. Brincamos muito com essa coisa da dinâmica. Vou lançar no Rio agora em setembro, depois farei Recife, no Santander Cultural.

Pensa em levar para outras cidades?

Momo · 15:12 - Sim, é claro. Penso em fazer formatos menores também. Shows pra divulgar o disco, pockets, voz e violão. Acho que tem um charme esse formato mais silencioso.

Você falou antes desse novo cenário. Você tem três discos, já tocou no exterior. Como vê esse momento de nossa musica, tanto o maistream quanto o meio chamado de independente, se é que isso existe ainda?

Momo · 15:16 - Acho essa geração do “independente” muito criativae bem mais atraente se comparada a geração dos 80 e 90 no Brasil. Lá fora acho a produção muito intensa e frenética, tem muita coisa surgindo e rolando. O digital facilitou muito as coisas, ficou mais fácil gavar, mixar e lançar. Por isso acaba que sempre aparece alguma coisa boa e vale parar pra prestar atenção. Por outro lado, tem muito coisa ruim também. Não são mais as gravadoras que nos dizem o que é bom, o que tem que ser consumido.

E como encontrar o que presta e o que não presta, o que é relevante e o que não é diante de tanta oferta?

Momo · 15:21 – Pois é. Aliás a mídia impressa perdeu essa força também, de dizer o que é bom, o que presta. Os blogs agora fazem esse papel. Acho que pesquisar é o caminho. É a tal da seleção natural que tanto se fala. Quanta gente boa não conseguiu gravar um disco e deixou de mostrar sua música lá atrás nos 80, 90. Penso muito nisso. Sou fruto dessa nova geração, que grava, produz, mixa e divulga.

E o que internet ajuda e atrapalha nisso?

Momo · 15:24 – Tem muitos meios legais de divulgação na internet, essas redes socias são boas pra contactar pessoas, trocar figurinhas e impressões. Tenho muito contato com músicos, jornalistas gringos. Agora atrapalha também. Tem bastante gente despreparada, e amadora dando opiniões, escrevendo, enfim…

Bom, pra terminar onde seu disco está disponível, tanto físico quanto digital?

Momo · 15:28 – Físico tem nas livrarias Cultura e também digital. Na Amazon.com e iTunes store tem digital. Pra ouvir: www.reverbnation/momooficial.

Você pode também ouvir o novo disco de Momo, ‘Serenade of a Sailor’, aqui mesmo:

Serenade of A Sailor by Momo Serenade of A Sailor

Leia também:

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Entrevista lançamentos: Andre Mendes

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Tags:carreira, disco, Marcelo Frota, música brasileira, Momo, nova música brasileira, Serenade of a Sailor

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Luciano Matos lubmatos@gmail.com

Jornalista, blogueiro e DJ. Nascido em Salvador em 1974, há mais de dez anos atua na cobertura do cenário musical baiano e brasileiro, especialmente o chamado mercado independente.

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